domingo, 13 de novembro de 2016

Alea Jacta Est! ✰ Artigo de Jorge Geisel

[Não há como fazer-se histórico, sem atravessar um ou outros mais rubicões. A lealdade de acompanhar seus comandados nos riscos da peleja, é a diferença entre a canalhice do oportunismo majoritário, acocorado na espreita do aproveitamento, e os louros merecidos da memória de um grande e corajoso vulto histórico.]

Quando Júlio César atravessou o Rubicão, no ano 49 a.C., em 10 de janeiro do calendário romano, em perseguição a Pompeu, violou a lei e tornou inevitável o entrevero. Sua famosa e destemida exclamação ficou para sempre: Alea jacta est ! (A sorte está lançada! )
O histórico Rubicão, um curso d’água de pouca profundidade, hoje identificado com o pequeno rio Fiumicino, separava a Gália Cisalpina dos domínios territoriais da então cidade de Roma, posteriormente da Província d’Itália e, hoje, situado na Província de Forli-Cesena.
Pois bem, pelo direito romano na fase republicana, era vedado a qualquer general, em retorno de campanha militar ao norte de Roma, a travessia do Rubicão junto com suas tropas. Tal proibição, teria sido um dos fatores de segurança e estabilidade contra possíveis manobras de chefes militares contra o poder central da República. Com Júlio César, o Rubicão foi atravessado contra a lei, sob o sopro da popularidade de grande general vitorioso, pela força de seu notável carisma político e de sua apreciável capacidade de comando.
Seu assassinato a punhaladas em pleno Senado, já como formidável imperador, não fez justiça aos seus momentos de glória, a favor de Roma e de seu povo.
s da velha guarda, que tiveram a sorte de estudar Latim, leram e decoraram muitos trechos da magistral obra de Júlio César sobre a conquista romana da Gália (DE BELLO GALLICO) e a descrição geográfica do amplo cenário de sua memorável campanha. Omnia Galia divisa parte tres...
A frase "atravessar o Rubicão", até hoje é usada para referir-se a qualquer um que tome uma decisão arriscada de maneira irrevogável, sem possibilidade de retorno. É o caso de Donald Trump que, embora de aparência opulenta como um potentado romano, farto de vinhos e de iguarias distantes do apetite das pobrezas, tomará posse do poder republicano da Roma moderna, no dia 20 de janeiro do próximo 2017 d.C., após destemida ultrapassagem do rubicão eleitoral, desafiando um poderoso establishment guiado por interesses inconfessáveis. Conseguirá botar ordem na casa?
Não há como fazer-se histórico, sem atravessar um ou outros mais rubicões. A lealdade de acompanhar seus comandados nos riscos da peleja, é a diferença entre a canalhice do oportunismo majoritário, acocorado na espreita do aproveitamento, e os louros merecidos da memória de um grande e corajoso vulto histórico.
A lembrança do episódio da travessia do Rubicão, foi assoprada em sonho por uma musa esperançosa de melhores rumos para nosso planetinha metido a besta. Em consideração à honra de sua aparição, em sonho fantasmagórico, ao som de gritos, clarins, sabres, relinchos, rojões e troar de canhões, mesmo não tendo sido possível captar tudo com exatidão, lembro-me muito bem de seu derradeiro aviso: depois do filho da mãe loura, com um fugaz economista queniano, a sorte será lançada...
Jorge Ernesto Macedo Geisel - Advogado

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