quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Eleições gaúchas ✰ Artigo de Denis Rosenfield

Os resultados das eleições no Rio Grande do Sul expressam um alto grau de renovação, consolidando, nas urnas, um generalizado anseio por mudanças. Porto Alegre, Santa Maria, Canoas e Caxias mostram outros protagonistas, destacando-se o PSDB como o grande vencedor, tendo a seu lado o PTB, estando o PT, o PMDB e o PDT dentre os perdedores.
Porto Alegre mostrou uma inusitada força do PDSB, com o seu candidato, Nelson Marchezan, encarnando a mudança. Soube colocar-se enquanto alternativa, não caindo nas armadilhas de seu adversário. Contou, ademais, com o apoio do PTB.
Sebastião Melo, do PMDB, erraticamente, procurou captar os votos da esquerda, criticando o próprio governo Temer, em uma clara demonstração de contradição partidária.
A chapa PMDB-PDT expunha, por sua vez, toda a sua incoerência, misturando os partidários do impeachment com os seus detratores. O prefeito Fortunati, além da desaprovação de sua gestão, foi um firme partidário da ex-presidente Dilma.
Comportamentos inconsequentes deste tipo pagam o seu preço. Os votos nulos, brancos e abstenções alcançaram, em nossa Capital, em torno de 44% dos votos, amalgamando os desencantados com a política e os desorientados do PT.
No primeiro turno, o PT foi clamorosamente derrotado, seu candidato, Raul Pont, não conseguindo passar para o segundo turno. Nem o petismo sem PT, o PSOL, com Luciana Genro, conseguiu vingar. Agora, no segundo, em Santa Maria, sua última esperança, foi o seu candidato, Valdeci Oliveira, derrotado pelo deputado Pozzobom, do PSDB. Os tucanos impuseram-se novamente.
Em Canoas, uma boa administração do prefeito Jairo Jorge, uma espécie de petista independente, não conseguiu tampouco se impor, com a sua candidata, Beth Colombo, atual vice-prefeita, sendo derrotada pelo deputado Busato, do PTB. O petismo light foi também tragado pelo onda antipetista.
Em Caxias, o atual prefeito, Alceu Barbosa, bem avaliado, não conseguiu fazer o seu sucessor, sendo o candidato do PDT, Edson Néspolo, derrotado pelo candidato Daniel Guerra, do PRB, ex-PSDB. Os trabalhistas foram, assim, vencidos.
Os anti-impeachment, PT e PDT, não conseguiram impor a sua narrativa. Onde compareceram foram, nas grandes cidades, derrotados. Quem com eles namorou, como o candidato do PMDB em Porto Alegre, sofreu o mesmo destino.
O desejo de renovação e de mudança terminou prevalecendo. O Rio Grande do Sul emerge com uma nova cara nestas eleições. Os diferentes partidos deverão repensar 2018.
Denis Rosenfield - Professor de Filosofia

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...