domingo, 20 de novembro de 2016

Experiência da seca em Israel é apresentada em Sergipe

Assunto foi abordado durante o XII Simpósio de Recursos Hídricos do NE.
'Escassez da água passa pela questão cultural', diz pesquisador de Israel.

Da necessidade nasce a oportunidade, foi assim com Israel 11 anos antes da fundação, em 1937, quando criou-se a Empresa Nacional de Água - Mekorot, onde atualmente Diego Berger atua como coordenador técnico de Projetos Especiais, uma das maiores autoridades de gestão hídrica que partilhou a experiência do Oriente Médio com a seca no XIII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, em Aracaju (SE), realizado entre 8 e 11 de novembro.
Por lá, a chuva só permanece por cinco meses, depois é seca no mais extremo sentido da palavra, com temperaturas desérticas chegando facilmente aos 40 graus. As formas distintas que os dois países tratam a escassez da água passa pela questão cultural.
“Israel foi desenvolvido numa área de crise. A gente já sabia que havia pouca água, por isso precisamos nos adaptar e adotar medidas que dessem condições de crescimento. No Brasil fala-se o tempo todo em crise, mas o tempo todo está desperdiçando água. Um dos problemas do setor hídrico é a decisão de não tomar decisão”, afirmou Berger.
Com 80 anos de política hídrica, Israel torna-se um modelo bem-sucedido para o mundo, onde a água é tratada como um bem valioso. Em 1955, foi criada a Lei de Medição da Água [tudo que passasse a ser consumido seria medido]. Quatro anos depois foi a vez da Lei da Água, determinando que toda forma de recurso hídrico pertence ao Estado, inclusive o esgoto, que desde 1989 é reutilizado na agricultura. O uso das tecnologias possibilita que 75% da água potável doméstica seja produzida através de dessalinizadores.
Diego Berger lembra ainda que a falta da água é uma ameaça para outros setores, como economia e até mesmo segurança militar. E ressalta a necessidade da cobrança pelos usos múltiplos. “Um dos custos que tem que se ter é com a água. Tem que colocar o custo de operação, das obras futuras. Em Israel não se paga barato, mas a população sabe que o dinheiro está sendo investido. Aqui não se tem fundos para fazer as obras fundamentais que vem dessa cobrança e as pessoas gastam muito mais com telefone celular, mas reclamam, mesmo pagando pouco pela água”, observou.

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