segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ninguém vai perguntar o porquê de Calero ter virado o homem-bomba da República?

Desde a queda do jovem ex-Ministro, mídia o blindou por completo, focando exclusivamente em Temer.

Marcelo Calero foi um ministro jovem, provavelmente jovem demais. Com 34 anos, beira o impossível que alguém esteja maduro o suficiente para ocupar o topo da República. Aliás, a história é pródiga em jovens que causaram danos imensos ao galgarem postos de poder. Alexandre, o Grande, educado por Aristóteles, é uma honrosa e raríssima exceção. Acontece que desde sua queda do Ministério da Cultura, Marcelo Calero tem sido absolutamente blindado pela mídia, ao mesmo tempo em que Michel Temer, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima se transformaram em alvos permanentes.
Sendo assim, resolvemos remontar ao menos os últimos momentos de Calero no Ministério, mostrando que o homem-bomba do governo Temer passa longe de ser um poço de santidade e pureza.
No dia 08 deste mês, dias antes da saída de Calero do Ministério da Cultura, sua pasta gastou R$ 600 mil, com dispensa de licitação, em uma festinha no Palácio do Planalto. A baladinha com Temer, sua esposa Marcela e diversos artistas foi realizada sob o pretexto de comemorar o Dia do Samba. Os gastos tem a assinatura do Ministro.
Segundo o Diário Oficial da União, a contratação de uma empresa de eventos custou R$ 596,8 mil aos cofres públicos. Mas no Diário não aparecem os nomes dos artistas contratados pela empresa carioca Treco Produções Artísticas Ltda. Além desse contrato, há um outro também publicado no Diário, informando o pagamento, sem licitação, de R$ 15 mil para Fafá de Belém cantar o Hino Nacional. Entre os artistas que se apresentaram, estava também o cantor de samba Neguinho da Beija-Flor. O valor do cachê não foi divulgado. Mais R$ 23 mil foram gastos na compra do livro Outro, de Augusto Campos, para presentear os convidados.
Para justificar as dispensas de licitação, o Ministério da Cultura, comandado por Calero, vale ressaltar, tentou explicar que artistas como Márcio Gomes, Áurea Martins e André Lara são consagrados pela crítica e pela opinião pública. Então tá, né? Já imaginaram o barulho que faríamos se fosse com Dilma? Se o Ministro da Cultura fosse Juca Chaves ou Gilberto Gill?
Mas prossigamos analisando os passos posteriores de Calero, até sua queda. O motivo aparente foi um conflito com o ex-Ministro Geddel Vieira Lima, que queria liberar a construção de um prédio nos arredores de uma área tombada pelo Patrimônio Histórico em Salvador. Calero não liberou, Geddel pressionou e Calero saiu do governo. Hoje sabemos que não sem antes montar sua Vendetta.
Calero gravou Geddel. Calero gravou Elizeu Padilha. E Calero gravou Michel Temer. O estranho de tudo isso é que o próprio Calero admitiu que só trouxe as gravações ao conhecimento público porque sentiu uma tentativa de Geddel de fritá-lo junto à opinião pública. Notem: não fosse o ataque de Geddel, jamais saberíamos que Calero gravou o Presidente da República supostamente intermediando um tráfico de influências de seu ex-Ministro. 
As perguntas que não querem calar: o que Calero faria com tais gravações? Por quê não as levou ao conhecimento do público no momento mesmo em que as realizou, esperando mais algum tempo para consumar sua saída do Ministério?
Só pra encerrar: Marcelo Calero chegou ao Ministério da Cultura como uma solução de emergência. Temer anunciou a extinção do Ministério na largada de seu governo. Pressionado por artistas, recuou. Tentou fazer do Ministério da Cultura, então, uma pasta de relações públicas, nomeando uma mulher para a pasta, buscando responder a críticas de que seu governo só tinha homens. Ofereceu para Marília Gabriela e outras artistas, todas tendo recusado. Restou Calero. Indicado por quem?
Pelo PMDB carioca, do qual Marcelo Calero fazia parte. Calero que foi Secretário Municipal da Cultura de Eduardo Paes, o menino de ouro de Sérgio Cabral. Sérgio Cabral que foi preso um tiquinho antes de Calero sair detonando toda a República.
Está sobrando torcida e vontade de atacar o Governo Federal. Está faltando jornalismo e senso crítico.
Aguardemos para ver o que Calero ainda tem para detonar na entrevista do Fantástico hoje à noite.
A República vive dias de nuvens carregadas.

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