sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Se a imprensa a atacasse como atacou Cunha, a “anistia ao caixa 2” não teria qualquer chance

Mesmo com a altíssima concorrência da história brasileira como um todo, é difícil citar um momento em que o Congresso Nacional tenha causado mais ânsia de vômito do que neste 24 de novembro de 2016, quando basicamente todos os partidos se uniram para anistiar qualquer crime de caixa dois, em especial o PMDB, o PT e o PSDB. Porque simplesmente ignoraram todos os anseios da opinião pública para perdoar alguns dos crimes que mais levaram o país à ruína, e que fatalmente foram cometidos por muitos do que votavam naquela sessão.
Mas essa pauta vem de longe. Como já explicado aqui, em março de 2015, a própria Dilma Rousseff já deu um primeiro passo, ainda que sem uma explícita busca por anistia, na estranha intenção de criminalizar o que já era crime. Contudo, o grosso da imprensa vinha tratando o tema como um problema menor, uma consequência da falta de estratégia da população que foi às ruas pedir o impeachment da petista. Em dado momento, só O Antagonista mantinha-se vigilante do assunto, por vezes sendo rebatido nos microfones pelos deputados.
Se os jornalistas brasileiros estivessem trabalhando seriamente, essa pauta não estaria, no momento da redação deste texto, a uma votação simbólica de caminhar para o Senado. Que foi adiada aos 45 minutos do segundo tempo, quando as redes sociais prometeram lotar a frente do Congresso como já tantas vezes fizeram na história recente.
É um dia vergonhoso para a história brasileira. A imprensa brasileira precisa voltar a ser oposição – e não meramente petista.

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