quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sobre Donald Trump, reações alérgicas e choques anafiláticos (Ou: a necessária dose de xenofobia)

 I want you, cucarachas!!!

​Muitas vezes, o desejo desesperado de nos livrarmos de um mal, acaba por nos colocar em prejuízo e perigo ainda maiores.
Não. Não tirei a frase acima de um para-choque de caminhão. Nem de um livro de autoajuda do Augusto Cury, ou do Rubem Alves. Tampouco da folhinha da Seicho-no-ie.
Ela é uma estratégia de guerra; no caso, uma falha tática de guerra. Do exército mais bem equipado, comandado e eficiente de que já se teve notícia ou conhecimento: o nosso sistema imunológico.
Quando um elemento estranho ao nosso patrimônio bioquímico nos adentra sem pedir licença, à traição, pela porta dos fundos (mas sem viadagem), é comum que nossos radares imunológicos o detectem e encetem uma reação no sentido de neutralizá-lo e expulsá-lo: nossos glóbulos brancos começam a produzir e a liberar anticorpos e outras substâncias para aniquilar o invasor - chamado de antígeno.
Nosso organismo não gosta, não aceita, não tolera, e rechaça tudo o que lhe é estranho. Nosso organismo é xenófobo! E nosso sucesso evolutivo como espécie mostra que há grande sabedoria nisso.
Acontece que nossa tropa de elite imunológica, às vezes, está tão beligerante, com tanta sede de sangue, com tanta vontade de ostentar seu arsenal imunoglobulínico, que acaba por exagerar na dose, acaba por nos pegar em fogo amigo, por minar nossos próprios campos de batalha, por dinamitar nossos próprios paióis e pontes: é a reação alérgica.
Os mastócitos - um tipo de glóbulo branco - são responsáveis pela liberação da histamina, substância que, em condições normais e adequadas concentrações, é grande auxiliar dos anticorpos. Porém, volta e meia, um erro de avaliação faz com que nosso sistema imune superlative a ameaça, e, então, quantidades de histamina muito maiores que as normais são liberadas, causando-nos reações inflamatórias, na pele, nos olhos, nas mucosas respiratórias etc. É a alergia.
A cada reação alérgica desencadeada pelo mesmo agente, o sistema imune vai liberando mais e mais histamina, o desejo desesperado de se livrar do mal faz com que, a cada novo contato com o agente, a dose da histamina liberada seja gradualmente maior, podendo atingir um quadro grave e crítico, o choque anafilático, o nosso fogo amigo; fatal, muitas vezes.
Donald Trump é a reação alérgica do organismo chamado Estados Unidos da América, é o desejo desesperado de se livrar do que julga ser um mal, é a providência exacerbada contra a invasão de elementos estranhos. E há tempos os EUA tentam se ver livres deles com medidas mais moderadas, com doses de histamina pautadas pela razoabilidade.
Repetidos e malfadados contatos com os agentes estranhos fizeram o sistema imune dos EUA - dos seus cidadãos comuns, médios, aqueles que se levantam cedo e pegam no batente todos os dias, os seus operários, os que carregam a grande nação nas costas - despirocar, chutar o balde, descarregar sobre o invasor todo o seu estoque de histamina: Donald Trump.
Do que tanto o sistema imunitário dos EUA se defende, contra o que aponta seu poderio nuclear-imunológico? Simples. Contra o estrangeiro - do imigrante ilegal aos produtos importados, sobretudo os chineses, que realmente estão a quebrar empresas caseiras pelo mundo todo.
Os EUA são uma nação xenófoba (aliás, todas as nações o são, em maior ou menor grau, de hipocrisia, inclusive) e, a exemplo do nosso sistema imune, há uma grande sabedoria nisso.
Uma pequenina dose de xenofobia - só não digo uma dose homeopática porque não acredito nessas charlatanices -, da mesma forma que um adequado suprimento de histamina garante a sobrevivência do organismo, assegura a integridade de um país, conserva a identidade de uma nação, cultural, étnica, religiosa, social, intelectual, política, folclórica etc.
Se o mundo fosse - ou se tornasse - o que apregoam os viadinhos politicamente corretos defensores das tais diversidade e pluralidade, se todos os povos e culturas aceitassem e assimilassem passiva e pacificamente a interferência e a influência de outros, se tudo se imiscuisse, se todas as barreiras e diferenças fossem extintas, acabaria no planeta justamente o que os viadinhos dizem defender, a diversidade.
Se tudo se mesclasse e coexistisse em harmonia, teríamos uma única cultura planetária, única etnia, religião, história, manifestações artísticas etc. Seria tudo o mesmo pastiche. Uma merda só. Os tais defensores da pluralidade são radicalmente contra ela, querem exterminá-la com seus delírios politicamente corretos. Odeiam a diversidade. Querem, os viadinhos politicamente corretos, reduzir tudo e a todos a um único denominador comum. Que é isso o que almeja o sempre mal-intencionado e afrescalhado politicamente correto, acabar com as diferenças para acabar também, e principalmente, com o mérito. Tratar o bom e o ruim, o certo e o errado, o produtivo e o parasita da mesma maneira. 
Entoar eternamente o mantra da tolerância - seja o sujeito merecedor dela ou não, seja, inclusive, o sujeito também um praticante dessa tolerância para com outro ou não, o que é recorrente ao militante do politicamente correto, cobrar um respeito do outro que ele próprio não demonstra ter. Mantra sob o qual tantos canalhas e sanguessugas se escondem e sobrevivem à alheias custas.
Donald Trump também é uma reação alérgica dos EUA ao opressor politicamente correto.
Xenofobia é uma coisa, preservação da identidade nacional, de um modo de vida, é outra, e bem diferente. A primeira é ato a ser combatido; a segunda, um direito a ser assegurado. 
Aliás, muito do que os viadinhos politicamente corretos chamam hoje em dia de xenofobia, em outros tempos, melhores tempos, era chamado de patriotismo - valor tão em desuso atualmente, que ganhou até, pela perniciosa ação do politicamente correto, uma conotação pejorativa. Declarar-se patriota hoje em dia é algo malvisto em certos círculos, principalmente entre os "inteligentinhos" da esquerda. Canalhas. Patriotismo não é xenofobia.
Donald Trump é uma dose cavalar de histamina frente à ameaça da perda do modo de vida americano, o american way of life - quem pode condená-los por isso, quem pode culpar os eleitores de Trump?
Donald Trump é uma reação alérgica à promiscuidade da globalização. Alergia que, desde quarta-feira, tem deixado os EUA todos empolados, o Tio Sam se coçando todo, e também o resto do mundo.
Se essa dose cavalar de histamina, ao longo da gestão Trump, evoluir para uma dose elefantina, fazendo jus ao animal-símbolo do Partido Republicano, advirá um choque anafilático, um colapso do organismo EUA - o desejo desesperado de se livrar de um mal que se torna pior que o mal que queria sanar.
Torçamos para que não aconteça, nunca. Ou, torçamos para que aconteça, logo. Depende do ponto de vista.

Um comentário:

A Marreta do Azarão disse...

Uma honra figurar aqui, nesse blog de macho, tchê!!!

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