sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Marisa Letícia Lula da Silva – entre a política e a família ✰ Artigo de Ricardo Noblat

E no fim da tarde do oitavo dia, a confirmar o que sustentam as estatísticas médicas a respeito, Marisa Letícia, mulher de Lula, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico na semana passada, piorou gravemente.
No meio da noite, seu quadro clínico foi considerado irreversível pelo cardiologista Roberto Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. O sangue já não irrigava o cérebro. Ela respirava por meio de aparelhos.
Há pouco, Lula anunciou que a família autorizara o início dos procedimentos médicos para a doação dos órgãos de Marisa.
Em números redondos, seis em cada dez vítimas de um AVC hemorrágico costumam morrer antes de dar entrada em algum hospital. Dos quatro atendidos a tempo, dois morrem e dois sobrevivem com sequelas, morrendo alguns anos mais tarde.
O oitavo dia depois do acidente é aquele mais crítico. Não se sabe bem por que, mas é o que apontam as estatísticas. A pessoa piora. Marisa só não morreu no dia em que teve o derrame porque foi prontamente socorrida.
Primeiro no Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo. Em seguida no Sírio-Libanês para onde foi transferida. O sangue inundou mais de 80% do seu cérebro, segundo tomografia feita no Assunção.
A tecnologia de ponta do Sírio-Libanês posta à sua disposição, e os médicos ao seu serviço foram responsáveis pelos dias de vida que ela ganhou em estado de coma induzido.
A esperança dos médicos na recuperação de Marisa sempre foi mínima. Fizeram o que era possível.
Esta é a segunda vez que Lula ficará viúvo. A primeira mulher dele morreu ao entrar em trabalho de parto em um hospital de Minas Gerais.
Como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, ele conheceu Marisa, a quem passou a chamar de “galega”. Ela era também viúva. Fora casada com um motorista de táxi.
Nascida numa família de imigrantes italianos, Marisa deu a Lula três filhos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio.
Foi ela quem cortou e costurou a primeira bandeira do PT, fundado em fevereiro de 1980. Organizou e liderou uma passeata de mulheres quando Lula e outros sindicalistas foram presos uma vez.
Participou de todas as campanhas de Lula. E em 1º de janeiro de 2003, tornou-se a primeira dama do Brasil. Há 10 anos descobriu que tinha um aneurisma. Não se tratou dele. E não mudou seu estilo de vida.
Era sedentária. Fumava muito. Bebia. O aneurisma rompeu-se e finalmente ela começou a morrer. O impacto de sua morte na vida de Lula será enorme. Era ela que cuidava da família para que ele pudesse se dedicar integralmente à política.
Era Marisa quem trazia Lula de volta à realidade quando ele se distanciava dela. Influenciou algumas das decisões mais importantes de Lula embora ele nem sempre reconhecesse isso.
Se Lula a tivesse escutado não teria escolhido Dilma Rousseff para sucedê-lo. Marisa nunca gostou dela. Uma vez que não lhe deu ouvidos, teria enfrentado Dilma com mais firmeza e saído ele mesmo candidato a presidente em 2014.
Depois que foi conduzido coercitivamente para depor aos procuradores da Lava Jato no ano passado, Lula concluiu que só o protagonismo político seria capaz de salvar seu futuro político. E passou a exercê-lo com vigor redobrado. Admitiu voltar a presidir o PT. E a ser candidato em 2018.
Marisa pensava o contrário. Recomendava a Lula que fosse discreto e que não afrontasse o Ministério Público e a Justiça. Estava cada vez mais preocupada com a situação dos filhos. Foi nesse estado que sofreu o AVC.

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