sábado, 11 de março de 2017

Meirelles anuncia o "voo da galinha"

O desespero do governo Temer é tanto que, para um pequeno indício de crescimento do setor industrial do mês de janeiro em relação ao mês anterior, dá como certo que há retomada do crescimento do País. Isto foi enfatizado pelo ministro Henrique Meirelles na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e dito à imprensa. 
Tecnicamente, o ministro Henrique Meirelles sabe que a configuração da tendência da economia, tanto faz, para cima ou para baixa, há que se confirmar a mesma tendência em dois trimestres consecutivos. Disse, ministro Meirelles de que o primeiro trimestre deste ano, o resultado do PIB trimestral deve fechar no terreno positivo. Mesmo assim, tecnicamente, não se pode dizer que o País saiu da recessão. Meirelles, com economista e banqueiro, sabe muito bem disso!
Na outra ponta, o IBGE divulgou o dado de desempregados, em carteira assinada, ascende a 40 mil vagas, somente no mês de janeiro. Portanto, o quadro geral de desempregados no País teve um pequeno acréscimo em relação a 12,9 milhões de desempregados. Vale lembrar também que o número de desalentados continua no patamar de 12 milhões de trabalhadores. Somado ambos números, o número de trabalhadores desempregados e em sub-empregos continua no patamar preocupante de 25 milhões de trabalhadores. 
Ontem, a Serasa Experian divulgou o número de pessoas inadimplentes no País. O número de pessoas negativadas ascende a 59,7 milhões de pessoas, correspondente a cerca de 40% da população adulta. Isto significa que em cada 10 pessoas, 4 pessoas estão negativadas. Curiosamente, o número de inadimplentes no País ascende à população de maioria dos países do mundo.
A retomada do desenvolvimento "sustentavelmente" só deverá ocorrer com medidas econômicas de profundidade. Eu chamo isto de "gatilho" para o desenvolvimento, já comentado em minhas matérias. Por enquanto, as notícias que vem do Planalto vai na contra-mão do desenvolvimento. O ministro da Fazenda, em declaração à imprensa, aventa a hipótese de aumento de carga tributária para fechar as contas do Orçamento Fiscal de 2017, conforme previsto no LDO/2017.
Diante das considerações feitas, não temo em dizer que o País está longe de demonstrar a retomada do crescimento sustentável. Tomara que o número setorial positivo não seja o "voo da galinha".

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