sábado, 18 de março de 2017

Ministro da Justiça de Temer aparece em grampo da Operação "Carne Fraca" da Polícia Federal

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), empossado no cargo no início deste mês por Michel Temer, é citado em uma ligação telefônica interceptada pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17) para apurar o pagamento de propinas por parte de frigoríficos a fiscais agropecuários.
Na gravação, Serraglio conversa com Daniel Gonçalves Filho, fiscal agropecuário e superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016 – apontado pela PF como sendo "o líder da organização criminosa" que relaxava a fiscalização dos frigoríficos em troca de propinas.
A ligação teria acontecido em fevereiro do ano passado, quando Serraglio exercia o mandato de deputado federal. Ele teria ligado para o fiscal para conseguir informações sobre uma ação contra o frigorifico Larissa, localizado em Iporã (PR), que pertence a paulo Rogério Sposito, que se candidatou ao cargo de deputado federal pelo PPS em 2010.
O ministro se refere ao fiscal como "grande chefe". "O cara que está fiscalizando lá apavorou o Paulo, disse que hoje vai fechar aquele frigorífico...Botou a boca. Deixou o Paulo apavorado", diz Serraglio na gravação.
Gonçalves Filho então entra em contato com a fiscal responsável pela fiscalização e, na sequência volta a falar com Serraglio dizendo que não há nada de errado com a empresa. Sposito, dono do frigorífico, é um dos investigados e teve um mandado de prisão preventiva expedido contra si na operação deflagrada nesta sexta-feira (17
Apesar da citação, o juiz Marcos Josegrei da Silva, e Ministério Público Federal entenderam que não existiam indícios suficientes contra o ministro. "Não se extraem elementos suficientes no sentido de que o parlamentar (Deputado Federal) que é interlocutor em um dos diálogos, que detém foro por prerrogativa de função, esteja envolvido nos ilícitos objeto de investigação no inquérito policial relacionado a este feito", diz o juiz em seu despacho.
Segundo ele, é "natural" que os funcionários e servidores do Ministério da Agricultura "busquem auxílio ou intervenção de deputados de seu Estado a fim de viabilizar o atendimento de interesses do órgão", desde que dentro da legalidade".

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