quinta-feira, 18 de maio de 2017

A depressão chegou no fundo do poço?

Presidente Temer e ministro da Fazenda Henrique Meirelles, nas aparições nas TVs, tem afirmado que o Brasil começou a crescer. Para o argumento utilizam-se da queda de inflação e recuperação de alguns setores da economia, como o da agrícola. A prévia do PIB do primeiro trimestre indica crescimento de 1,12%. O número de demissões no primeiro trimestre, praticamente, terminou em estabilidade. Para o País que vinha apresentando indicadores negativos por dois anos consecutivos, a notícia é até boa. 
No entanto, há uma distância enorme de considerar os primeiros números positivos como tendência para o resto do ano. Os números positivos vieram basicamente do desempenho do agronegócio que aumentou a produção da safra de verão em mais de 6% comparado ao do ano anterior. Outro segmento que ajudou a recuperar o crescimento foi a produção das montadoras no primeiro trimestre, em função da alta demanda de veículos pela Argentina.
O número de mês de abril, sobretudo a criação de novos empregos, em cerca de 60 mil vagas, está animando os analistas econômicos. Mas, particularmente, vejo com certa reserva. O resultado do mês de abril poderá repetir nos próximos meses, enquanto a CEF estiver liberando as contas inativa do FGTS para os trabalhadores. Tecnicamente, a liberação do FGTS produz cerca de 0,6% de incremento ao PIB do ano. No entanto, o efeito da liberação do FGTS pode mascarar o crescimento do PIB para o restante do ano. A última parcela da liberação do FGTS ocorrerá no mês de julho. Não vi nenhum analista considerar o impacto da liberação do FGTS na economia, com exceção do ministro da Fazenda Henrique Meirelles.
Outro fator a considerar é a queda da taxa básica de juros Selic previstos para próximas reuniões, apesar de em números absolutos, o Brasil esteja pagando os juros reais a mais alta dentre 40 maiores economias do mundo. Psicologicamente, a taxa de juros Selic acima de 10% ao ano traz um "desconforto" para os empresários, inibindo-os de fazer investimentos diretos. Segundo Banco Central, a taxa Selic deve terminar o ano ao redor de 8% a 9% contra a inflação abaixo de 4%, o que poderia vir a animar os empresários. 
Há uma certa falta de didática dos jornalistas e analistas econômicas ao opinar sobre o "momento econômico", sobretudo por causa dos indicadores, muitas vezes conflitantes. O fato é que a "tendência" da economia só é confirmada quando há repetição de tendência positiva ou negativa em dois trimestres consecutivos. Tentar definir tendência da economia baseado apenas em dados de 1 trimestre é como tentar adivinhar o resultado de uma maratona nos primeiros 100 metros. Há que maratonista correr pelo menos 1.000 metros dentre 42 km para poder definir os favoritos. 
Para emitir opinião sobre o quadro da economia do País para o restante do ano, baseado apenas nos números do primeiro trimestre, tecnicamente, é inseguro. No máximo, podemos afirmar que a economia está "ensaiando" uma recuperação ou que a economia parece estar "chegando" no fundo do poço. O povo terá que agir com muita cautela nestas horas. 
Fazer qualquer projeção otimista para o ano de 2017, como quer fazer crer o presidente da República Michel Temer é um tanto quanto "temerário". Presidente Temer não tem "credibilidade" para afirmar qualquer coisa, sobretudo sobre matéria que não a domina. Em matéria de economia, Temer é apenas ventríloquo do ministro da Fazenda Henrique Meirelles. 
Nestas horas, a cautela é melhor remédio.

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