sexta-feira, 12 de maio de 2017

FAB transportou 258 órgãos para transplante, diz balanço do governo

Onze meses após edição de decreto obrigando a Força Aérea Brasileira (FAB) a transportar órgãos, 258 já foram levados para transplantes pelos aviões da Aeronáutica. O decreto foi editado depois que O GLOBO mostrou que a FAB era obrigada a levar autoridades, mas não órgãos. O jornal revelou que 153 órgãos deixaram de ser destinados a transplantados entre 2013 e 2015 por falta de disponibilidade da FAB. Nos mesmos dias, a Força Aérea teve de levar autoridades para compromissos oficiais ou retorno a suas residências. De 2011 a 2015, foram 982 recusas, uma a cada dois dias.
Hoje, com nove anos, Ana Júlia se diverte com a bicicleta perto de casa da família, em Luziânia (GO)
Personagem de série do GLOBO, menina de nove anos se salvou nas asas da FAB
Transporte aéreo. Militar da FAB entrega a técnico a caixa com o fígado para paciente do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do CearáEm dois meses, FAB transporta seis vezes mais órgãos para transplante
O número de quase dois órgãos carregados por dia desde o decreto será usado a favor do governo na próxima sexta-feira, quando completa-se um ano desde que Temer assumiu a Presidência interinamente. No Palácio do Planalto haverá uma reunião ministerial e deve ser feita uma cerimônia. O presidente cogita gravar um vídeo para as redes sociais enaltecendo as medidas que tomou no último ano.
Segundo dados do governo, 42% dos órgãos levados desde o decreto, em 6 de junho do ano passado, foram fígados, o equivalente a 109 órgãos. Em seguida vêm: 72 corações, 58 rins, dez pâncreas e nove pulmões. O levantamento considera os voos até o fim da manhã da última terça-feira. Antes de órgãos serem prioridades, por lei, para a FAB, os trajetos eram raros. No ano passado, de janeiro a junho, foram trasladados somente cinco: três fígados e dois corações.
A medida do governo Temer, à época no primeiro mês de interinidade, veio após divulgação de reportagem do GLOBO. O presidente determinou que sempre haja um avião da FAB em solo à disposição para carregar órgãos e até pacientes. Até então, órgãos podiam ser desperdiçados e cirurgias, inviabilizadas. Enquanto isso, a Aeronáutica era obrigada a atender pedidos de transporte de ministros da Esplanada e de presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Senado e da Câmara.
Em 21 de dezembro de 2015, por exemplo, um coração deixou de ser levado do Paraná ao Distrito Federal, e o paciente que o receberia morreu dois meses depois. Naquele mesmo dia em que a FAB negou o transporte, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha voou com a Força Aérea do Rio para Brasília.
O GLOBO noticiou também casos de transplantes realizados com sucesso já com a FAB fazendo o transporte dos órgãos segundo o novo decreto. Um deles foi o que levou um coração para o Distrito Federal. O órgão foi transplantado para a menina Ana Júlia, de 8 anos. Ela sofria de uma cardiopatia grave, vivia à custa de medicamentos e há seis meses esperava pelo coração de um doador. O órgão foi captado pela FAB em Minas Gerais e transportado para Brasília. A série de reportagens contando os problemas do sistema de transplante relacionados ao transporte aéreo recebeu este ano o prêmio Rei de Espanha. A menina Ana Júlia recebeu o Prêmio Faz a Diferença concedido pelo jornal por simbolizar a luta dos transplantados.

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