segunda-feira, 8 de maio de 2017

“República de Curitiba” e a Independência do Sul ✰ Artigo de Sérgio Alves de Oliveira

Após a pseudodemocracia brasileira abortar colocando na Presidência da República um Jânio Quadros, um Collor de Mello, um José Sarney e um Fernando H. Cardoso, não surpreende que dela tenha surgido outras “bestas”, como um Lula da Silva, uma Dilma Rousseff e um Michel Temer. Pois “elas” estão disseminadas em todas as frentes ideológicas: direita, centro, esquerda, indefinida, e por aí vai. Isso ocorre porque a “democracia” brasileira de “papel” nunca correspondeu à verdadeira democracia, à sua realidade essencial, mas à sua antítese, à democracia deturpada, degenerada, corrompida, virada ao “avesso”. Melhor explicado: à OCLOCRACIA - na compreensão dada pelo historiador e geógrafo grego Políbio (203 a.c - 120 a.c.), - sustentada pela massa ignara e despolitizada, em proveito da patifaria política que se adonou do Brasil, onde encontrou fertilidade nesse lodo moral para se desenvolver. Ora, uma democracia real é feita pelos costumes democráticos sadios, não pelas definições dos manuais políticos. Isso quer dizer que são os costumes democráticos que fazem as democracias, não as leis e os manuais.
Sob o comando alternado de todas as ideologias políticas que já tiveram oportunidade   de se instalar e governar o Brasil, na verdade nenhuma delas deu certo no sentido de abrir caminho para o desenvolvimento das melhores potencialidades humanas do país. A “esquerda” foi a pior delas. Na versão “tupiniquim”, ela foi erguida como uma salada de frutas misturando porções dos socialismos “menchevique”, ”fabiano” e sobretudo “gramscista”. Ganhou algum espaço na política a partir da primeira metade dos anos sessenta, no Governo João Goulart, e mais fortemente de 2003 até 2016, onde teve oportunidade de mostrar a que veio. Mas a “preliminar” deu-se já nos dois períodos presidenciais anteriores a Lula, de 1995 a 2003, sob o “marxismo fabiano” do Presidente FHC.
Mas logo que chegou ao poder essa esquerda “salada-de-frutas” mostrou as suas “garras”. Instalou uma ditadura mascarada pelas urnas (da oclocracia). Aparelhou todos os Poderes do Estado até onde alcançaram as suas “garras”, com um único objetivo: dominar a política para sempre, no melhor estilo marxista. Sua força humana emergiu não só daquela rafuagem política oriunda das urnas “oclocráticas”, coincidente com a pior escória da sociedade, mas também do aparelhamento de todos os Poderes do Estado, inclusive da Instância máxima do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal-STF, e demais Tribunais Superiores e Federais Regionais. E nos postos de comando burocrático da Administração só tinham lugar os funcionários que eram seus “capachos”, formando um exército de servidores públicos, similar ao que ocorreu durante a “Nomenklatura”, da União Soviética de Stalin, um corpo de funcionários que mandava despoticamente e nunca produziu absolutamente nada. Sem dúvida essa “tchiurma” constituiu o ESTAMENTO BUROCRÁTICO DO ESTADO, na feliz expressão do alemão Max Weber, um dos pioneiros da sociologia, genialmente adaptada à realidade brasileira  por Raymundo Faoro, em “Os Donos do Poder”.
Com essas experiências mal sucedidas, de todas as ideologias políticas, a conclusão só pode ser uma: ”o Brasil não deu certo”. Não por mera coincidência, essa é a premissa central que move o ânimo dos INDEPENDENTISTAS DO SUL, convencidos que as suas próprias potencialidades hum  poderão ser plenamente  desenvolvidas  a partir do momento em que cada um  tomar as rédeas do próprio destino rumo à decência e prosperidade, com independência soberana, livres do poder político  despótico de Brasília, capital de um Estado Unitário disfarçado de Estado Federativo.
Neste sentido é muito difícil compreender o estúpido “patriotismo” radicado na cabeça de grande parte dos brasileiros, chegando ao extremo de criarem expressões totalmente divorciadas do bom senso, como, por exemplo, “BRASIL ACIMA DE TUDO. Essa visão deturpada corresponde exatamente à postura do “corno manso”, no enfrentamento de uma situação concreta, onde levou “chifres”, e que apesar de traído pela mulher “amada”, ou vice versa, deixa por isso mesmo e se conforma com a situação de corno, continuando a vida em comum com a parceira (o), como se nada tivesse acontecido. Ora, tanto quanto pode haver traição de parceiros na relação amorosa, do mesmo modo pode haver traição do país com os seus cidadãos. O inverso nunca vai acontecer.  Essa inversão de valores geralmente se dá quando o homem é considerado exclusivamente um servo, uma “pertença” do Estado, existindo tão somente para serví-lo, não o contrário, como deveria ser. Essa discussão diz respeito ao “problema finalístico do Estado”, nem sempre merecendo a atenção que deveria ter, se resumindo em saber se o homem deve servir o Estado, ou o Estado deve servir o homem, em resumo. Por isso não adianta o Estado estar bem e o seu povo andar mal. Mas é exatamente isso o que se passa no Brasil. O Estado Brasileiro não cumpre as suas obrigações com a sua população, exigindo, todavia, que a recíproca seja verdadeira, não tendo mais qualquer freio em aumentar a todo o momento a carga tributária, já insuportável pelos sofridos contribuintes.
Desacreditados pelos seus 500 anos de história negativa que o Brasil possa algum dia oferecer alguma oportunidade para os  seus diversos povos, nasceu  com toda a  força nos anos noventa, no SUL DO BRASIL (PR,SC e RS), o movimento independentista ou autodetermista dessa Região, capitaneado pelo MOVIMENTO O SUL É O MEU PAÍS, que inclusive realizou uma consulta plebiscitária informal no Sul, em 2016 (Plebisul), com vitória de 95% para o SIM, o que deverá se repetir em 2017. Essa consulta foi realizada por conta própria em virtude da Justiça Eleitoral se negar a ceder a sua estrutura para isso. O povo não tem nenhum direito junto à Justiça Eleitoral, que só faz o que o “Sistema” ordena ou deixa. Qualquer “besteira” pode ser objeto de plebiscito, desde que do interesse de grupos políticos. Não custa lembrar que essa mesma “Justiça Eleitoral” - ao lado da “máquina” de Arrecadação Tributária, que implementou o “terrorismo tributário” - pelo qual os brasileiros são os que hoje pagam os mais altos tributos do mundo - são as organizações públicas mais bem aparelhadas e caras de todas. Não há limites de verbas públicas para essas áreas privilegiadas, ao contrário de todas as outras realmente importantes e prioritárias para sociedade (saúde, educação, segurança, etc.). É que impostos e “Justiça Eleitoral” (para executar a “oclocracia”) são os pontos que mais interessam aos políticos.
Considerando a eleição presidencial de 2014, segundo turno, que apontou a sua reeleição e a vitória de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves, somado ao fato da “derrota” expressiva dessa chapa vencedora na Região Sul do Brasil, a pergunta que se impõe é se houve, ou não, democracia para a Região Sul, e se essa Região deve ou não se submeter à vontade da maioria de outras regiões. Dilma venceu ”disparado” no Norte e Nordeste. A tal de “bolsa família” deu resultados. Mas ela perdeu no Sul. Isso foi democracia para o “derrotado”? Ressalte-se, contudo, para afastar confusões, que antes de uma vitória de Aécio no Sul, o maior desejo da Região foi o de imprimir uma derrota a Dilma e ao seu PT. Aécio representava a única alternativa de rejeição a Dilma. Tudo sinaliza uma “democracia” empurrada goela-abaixo do povo, e que só por isso já deixa de ser democracia. Aécio não venceu; foi Dilma quem perdeu. Mas o Sul não questiona o direito do Norte e Nordeste de escolherem o candidato que melhor lhes aprouver. Todavia é imperioso que tratem de construir o seu próprio país para ser governado por quem só eles escolherem. O Sul não tem nenhuma obrigação de aguentar as consequências das escolhas dos outros. Nem de consumir Lula, Dilma, ou Temer. O “Código do Consumidor” deveria prevenir tais situações, ou seja, o consumo obrigatório de coisas indesejadas.
Só abrindo um parênteses, para compreensão desse raciocínio.  Se o mundo tivesse um governo único, com plena “democracia”, cada eleitor valendo um voto, certamente venceria o candidato apoiado pelos países mais populosos.  Somadas as suas populações, China e Índia, sozinhas, têm praticamente a metade da população mundial. O “Presidente do mundo” sairia daí. Se fosse o caso, teria havido democracia em relação ao Brasil e a outros países menos populosos? Claro que não.
Portanto, a eleição presidencial de 2014 demonstrou forte divergência política entre as regiões do Brasil, estabelecendo uma convivência política muito difícil, quase impossível, ainda mais tendo a região “perdedora” (a Sul) plena consciência de que é uma das que mais trabalha e produz riquezas para sustentar o “todo maior”, inclusive a gastança irrefreada e a corrupção generalizada de Brasília. Concomitantemente, o Sul recebe de volta em investimentos federais uma ínfima parcela do que remeteu. Ao invés desse “plus” ficar na própria Região, para investimentos nas áreas que necessitam, ele é “doado”, compulsoriamente, na “marra”, para a capital federal fazer dele o que bem entender e comprar os apoios políticos que necessita para se manter. Nesse sentido os Sulistas, dentre poucos outros, são os “trouxas”, os “escravos”, dessa “federação” forjada. E há que se colocar um basta nessa situação.
O ritmo acelerado imprimido ao projeto INDEPENDENTISTA DO SUL já abriu discussão até sobre o “nome de batismo” do novo país a ser criado pela união dos três Estados do Sul. Existe até uma aprovação provisória denominando-o de “UNIÃO SUL-BRASILEIRA-USB”, do qual inclusive sou adepto. Mas pode ser qualquer outro, desde que alcançada a AUTODETERMINAÇÃO DO SUL.
Surpreendentemente, até causando certo impacto, entrou no “páreo” das proposições de nomes do futuro pais, uma pessoa muito conhecida na política brasileira. Esse “nome” tem sido apontado em pesquisas eleitorais como o provável vencedor da disputa presidencial que vai acontecer em outubro de 2018. Mas esse nome é rejeitado no Sul, apesar de ganhar em outras regiões, estando a sua grande força política no Norte e Nordeste, onde ele ainda é considerado um “Deus”, apesar de todo o mal que já causou ao Brasil, liderando a maior quadrilha de ladrões do erário já vista no mundo.
Implicado profundamente nas investigações de corrupção da “Operação Lava Jato”, protagonizada pela Polícia, pelo Ministério Público Federal, e pelo Juízo Federal da 13ª Vara de Curitiba, que apuram em Primeira Instância a roubalheira de políticos e administradores, em conluio com empreiteiras da PETROBRÁS, o investigado Lula da Silva passou a se defender com o seu habitual estilo agressivo e “debochado”, denominando a Operação Lava Jato, onde está implicado, de “REPÚBLICA DE CURITIBA”, provavelmente tentando associar essa denominação, ”debochadamente”, ao projeto independentista que tramita no Sul desde a década de 90. Ora, é evidente que Lula, assim como praticamente todos os outros políticos do Brasil, abominam essa ideia. Mas se “eles” são contra, com certeza essa alternativa só pode ser boa. Mas na verdade esses políticos lacaios de todas as ideologias estão usando um legítimo direito: o direito de “legítima defesa”. Com certeza sabem que o ambiente politicamente nefasto, poluído e corrupto que conseguiram construir, direta ou indiretamente, por ação ou omissão, e onde vivem, é o único que oferece condições ideais para suas sobrevivências políticas. Os políticos e os burocratas da “Nomenklatura” entram em desespero com essa alternativa. É sinal que ela só pode ser positiva, oportunizando de fato o verdadeiro e pleno desenvolvimento da potencialidades, não só do Povo do Sul, mas também de todos os outros que quiserem e preencherem os requisitos necessários para uso da alternativa independentista. Detalhe: quem der uma pesquisada nas redes sociais verá que essa alternativa está surpreendentemente crescendo em todas as regiões do Brasil. Parece que também outros se convenceram que “o Brasil não deu certo”, além dos sulistas.
Existiria algo em comum entre a “REPÚBLICA DE CURITIBA”- genial criação de Lula – e a proposta INDEPENDENTISTA DO SUL? Certamente que existe. E muito. Apesar dessas mobilizações não se comunicarem, nem se relacionarem uma à outra, ambas são movidas pelo mesmo espírito, o espírito de limpeza política no Brasil. Mas a única que tem alguma chance de prosperar é a dos independentistas. Isso porque é uma verdade que “o homem é produto do meio”. A “República de Curitiba”, apesar de muito difícil, até teria alguma chance de “limpar” o Brasil Político, afastando ou prendendo os maus elementos em exercício na vida pública e os seus cúmplices da iniciativa privada. Mas eles não acabariam. O “Sistema”, o “meio-Brasil”, se encarregaria logo de preencher os espaços vagos na política. Mas esses “novos” políticos que preencheriam tais espaços viriam certamente com os mesmos defeitos de “fabricação” que o outros afastados. Seriam produto do mesmo meio, moral e politicamente abalado.
Na verdade a única grande diferença existente entre a “República de Curitiba” e o “Independentismo do Sul”, apesar dos seus objetivos de “limpeza” coincidirem, está no fato de que a primeira coloca no palco central da sua ação principalmente o aspecto JURÍDICO da discussão, ficando o aspecto POLÍTICO meramente como seu pano de fundo. No Independentismo Sulista essa relação se inverte: o principal é o aspecto POLÍTICO, e o secundário, o JURÍDICO. Não há como separar totalmente um do outro.
O que seria preciso, portanto, primeiro é mudar o MEIO que gera a corrupção, dissolvendo um país (o “meio”) que” não deu certo”, e que até hoje só infelicitou todas as suas gerações, oportunizando assim a seus diversos povos de todas as gerações a construção de novos países de acordo com as potencialidades naturais existentes, a vontade, a capacitação e as conveniências específicas da cada um. Todos rumariam no sentido da prosperidade plena, com certeza, não havendo nenhuma razão plausível para manter intacto (“indissolúvel”) um país criado a partir do troca-troca de interesses mesquinhos das cortes dos seus primeiros colonizadores, especialmente portuguesas e espanholas. O futuro de um povo não pode ficar amarrado por um simples dispositivo numa constituição, já que o poder do povo está acima de qualquer constituição, por ser ele o único titular do poder instituinte e soberano (todo o poder emana do povo). Esse preceito está na própria Constituição do Brasil.
Em todo o caso finalizo esse texto deixando o meu especial agradecimento ao ex-Presidente Lula pela sua gentileza de “sugestão”, desde logo propondo aos líderes do MOVIMENTO O SUL É O MEU PAÍS que incluam “REPÚBLICA DE CURITIBA”, como uma das opções de denominação do novo país. Prometo até que se for esse o nome escolhido me empenharei pessoalmente para que seja erguida uma estátua de Lula da Silva na “República de Curitiba”, em local a ser determinado, homenageando e agradecendo a sua “sugestão”. Também proporei que essa estátua seja feita em tamanho natural, com ouro 24 K. O custo dela poderia ser suportado facilmente mediante uma “vaquinha” para a qual as empreiteiras da Petrobrás certamente não se negariam de participar.
Sérgio Alves de Oliveira - Advogado e Sociólogo

2 comentários:

Irmão do Eremildo disse...

Proponho que a estátua de ouro de Lula, fique entre grades.

Anônimo disse...

Moro em Curitiba, gosto do Estado e só entre nós, qual o pais do mundo que abriria mão do PIB de São Paulo ou do Rio de Janeiro?
Talvez o mesmo que abre mão do mercado cativo de aproximadamente 60 milhões de possíveis consumidores. Olha, não estou nem falando de história em comum de todo o povo brasileiro. Quanto a "BRASIL ACIMA DE TUDO" não sei a vivência do articulista no continente chamado Brasil, deve ser nula. Avalio também que o missivista não conhece nada do resto do mundo, menos ainda a evolução histórica dos diversos países que o constituí, se soubesse garanto que não escreveria o que escreveu.
José Soares Coutinho Filho

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