domingo, 11 de junho de 2017

A gargalhada do coveiro de provas vivas

Presidente do TSE, Gilmar Mendes sorri durante a sessão de julgamento da chapa Dilma-Temer eleita em 2014

“Recuso o papel de coveiro de prova viva”, resumiu o ministro Herman Benjamin no fecho da monumento à verdade que ergueu em meio às ruínas da Justiça. “Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão”, completou o relator do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral.
Com o apoio de dois ministros do Supremo Tribunal Federal, indiferente a provocações, apartes impertinentes, risos debochados e sussurros cafajestes, Benjamin acabara de devassar com comovente altivez a catacumba repleta de canalhices protagonizadas pela dupla que fez o diabo para ganhar a eleição de 2014.
Ele soube desde a primeira linha da surdez obscena do trio de súditos afinado com o solista no comando. Mas entendeu que precisava mostrar a milhões de brasileiros o que seria enterrado nesta sexta-feira. E deixar claro que ainda há juízes mesmo em tribunais infestados de espertalhões e sabujos trajando togas puídas nos fundilhos.
O que falta é mais gente decidida a avisar nas ruas, aos berros, que o Brasil decente não se deixará intimidar pelos poderosos patifes que teimam em obstruir os caminhos da Lava Jato. Refiro-me à verdadeira Lava Jato, representada por Sérgio Moro, não à caricatura parida em Brasília por Rodrigo Janot.
A gargalhada de Gilmar Mendes na primeira página da Folha deste sábado comunica que o nada santo padroeiro de amigos em apuros continuará tentando marcar encontros com o que chama de “prisões alongadas ocorridas em Curitiba”. Faria um favor a si mesmo e, sobretudo, ao país se marcasse encontros com princípios e valores abandonados em algum lugar do passado. Quase todos podem ser localizados no histórico voto de Herman Benjamin.
Não será difícil ao atarefado Gilmar Mendes achar tempo para a tentativa de reencontrar a Lei, a Verdade e a Justiça. Basta suspender por algumas semanas encontros com bandidos de estimação e com agentes funerários especializados no sepultamento de provas do crime.

Um comentário:

Anônimo disse...

Recebi no WhatsApp

O BRASIL NÃO MERECIA ISTO !!! CHEGO A FICAR ENVERGONHADO ...

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. ACHO QUE A NOSSA JUSTIÇA ESTARÁ DE LUTO AMANHÃ ...

EU ESTOU PERPLEXO COM TUDO ISSO, INCLUSIVE COM O NÍVEL TÉCNICO-JURÍDICO DE ALGUNS MINISTROS. O CINISMO CAMPEIA.

Praticamente, apenas o ministro relator Benjamin examinou a prova...

Julgamento ridículo e meramente simbólico. O voto do ministro Napoleão foi patético. Triste, mesmo !!! Um voto como este é uma vergonha para a justiça de meu país !!!

Pode um magistrado participar de um julgamento sem ter lido a prova dos autos do processo ??? Como não estudaram a prova, Ministros se limitam a ler doutrina comezinha e sabida por qualquer estudante de Direito. O relator Benjamin jamais disse que estava julgando fora do pedido ou da causa de pedir ... De qualquer maneira, por que não consideram as demais provas que não as decorrentes dos executivos da Odebrecht ???

Não sei como estes homens têm coragem de lerem votos como estes perante toda uma nação atenta e perante tantos professores de Direito existentes em nossa pátria.

O senhor Gilmar Mendes não poderia estar presidindo este julgamento, dado os seus pronunciamentos e comportamento anteriores, bem como não poderia dele participar um ministro que foi advogado de uma das partes.

Chega a impressionar o acintoso corporativismo dos ministros. Repugnante e injustas as agressões verbais feitas ao Ministério Público pelo ministro Gilmar Mendes.

O senhor Temer foi "absolvido", mas a história não absolverá os ministros responsáveis por este lamentável julgamento.

Vamos memorizar estes nomes, não vamos esquecê-los jamais. Não merecem, de minha parte, maior consideração e respeito.

Como professor de Direito Processual, por 37 anos consecutivos, fico absolutamente decepcionado com este julgamento. Um simulacro. Um teatro de terceira categoria !!!

Na minha opinião, este julgamento foi um verdadeiro escárnio.

Tomado de indignação com a fala do min.Gilmar Mendes, emocionado por chegar a pensar que a ética não mais existe, me nego a ser enganado por cinismos tão gritantes.

Chego a pensar que não valeu a pena muito do que fizemos e dissemos, ao longo dos meus 67 anos.Nada vale a pena quando a imoralidade não é pequena.

O Superior Tribunal Eleitoral, no dia de hoje, feriu de morte a esperança dos jovens estudantes de Direito. Feriu de morte a esperança das pessoas honestas e éticas. Eu estou na UTI ...

O dano que este julgamento está causando em nossa sociedade demorará gerações para ser reparado.

O povo não tem outro caminho, senão o de tomar as ruas deste país e "refundar" a nossa civilização. "Quem sabe a hora, não espera acontecer", já dizia a música de Geraldo Vandré.

Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal (Uerj)

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