segunda-feira, 19 de junho de 2017

Na conversa com Bial, que toda a verdade seja dita! ✰ Artigo do General Paulo Chagas

Caros amigos
Acabo de assistir ao novo programa do Bial (07/06/17 - 03:30 Hs), desta vez, entrevistando a viúva e o filho de Vladimir Herzog e a jornalista Miriam Leitão e seu filho, Matheus.
Não se pode negar o direito de inconformidade às pessoas e às famílias vitimadas, direta ou indiretamente, pelas ações de repressão ao terrorismo ocorridas no Brasil no período de luta armada que se seguiu ao 31 de março de 1964.
A mesma lógica se aplica às famílias vitimadas pela ação dos terroristas.
A guerra é assim, não interessa quem começou, ou quem venceu, todos saem, de alguma forma, machucados.
Cabe, no entanto, contestar a generalização da história particular dos entrevistados, como se as suas angústias e apreensões fossem lugar comum entre as 90 milhões de almas que, à época, viviam no Brasil.
Uma infeliz tentativa de deturpar a verdade, porque não é à toa ou por qualquer motivo que há tanta gente querendo a volta dos militares ao poder.
Ao contrário do que foi dito, as pessoas que viveram aqueles dias testemunham um ambiente inseguro apenas para a bandidagem em geral e para os terroristas em particular, diametralmente oposto ao que se vê hoje no Brasil, governado pelos terroristas de antanho!
Os entrevistados chegaram ao cúmulo de tratar a impunidade vigente nos dias de hoje como "herança da ditadura". 
Lembrei-me mais uma vez da "Geni", personagem da canção do não menos comprometido Chico Buarque de Holanda, que todos malhavam porque fora feita para apanhar.
Como escrevi, há algum tempo, à Sra Mírian Leitão, ela tem todas as razões do mundo para não esquecer do que lhe teria acontecido nos dias em que esteve presa, assim como não tem qualquer razão para esquecer dos motivos que a levaram ao cárcere e a receber o codinome de "Amélia" em uma organização terrorista!
Em dezembro de 1972, ano em que Miriam Leitao foi presa, identificada como a militante "Amelia", do PC do B, mais de cem pessoas tinham sido mortas em consequência de atentados terroristas, 300 bancos tinham sido assaltados por terroristas, 300 militantes comunistas haviam sido enviados para cursos de terrorismo na China e em Cuba, vários quartéis haviam sido assaltados para roubo de armamento, 3 diplomatas haviam sido sequestrados, militares estrangeiros haviam sido justiçados, vários atentados à bomba haviam sido executados - dentre eles o do Aeroporto dos Guararapes e o ataque ao QG do II Exército - e a Guerrilha do Araguaia - comandada, patrocinada e mobiliada por agentes do PC do B - estava em curso de operações, em vista disso, é fácil concluir que a militância da jovem jornalista e de seu namorado nos quadros do partido os enquadrava na categoria de agentes do terrorismo.
Na busca da verdade, que toda a verdade seja dita!
Paulo Chagas - General de Brigada

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