quarta-feira, 14 de junho de 2017

O coitadinho tatuado ✰ Artigo de Marcelo Aiquel

A mídia nacional concedeu amplos espaços para lamentar o “pobre coitado” que teve a sua testa tatuada com os dizeres: Eu sou ladrão e vacilão. Tudo porque o referido “anjinho” roubou e agrediu a um deficiente físico que, honestamente, tentava ganhar seu sustento vendendo guloseimas nas ruas.
A mesma mídia (hipócrita e politicamente correta) ainda teve o desplante de divulgar uma entrevista com a mãe do “pobre coitado”, dizendo: meu filho não é um animal. O que por si só explica o fato.
Pois eu afirmo – ao mesmo tempo em que a minha paciência com esta vitimização ridícula e descabida, acabou! – que, independente da idade do marginal, ele é sim um animal.
Porque só um animal – mesmo adolescente, afinal o Champinha também o era – pode ser capaz de um ato tão revoltante como o de assaltar e agredir um deficiente físico (um jovem perneta), seja para roubar sua bicicleta, seja para roubar qualquer outra coisa.
E, neste país onde a inversão dos valores virou moda, ainda querem crucificar o vagabundo assaltante. Tanto que prenderam quem o tatuou, tratando do “pobre coitado” como se vítima fosse.
Ora, devagar com o andor que o santo é de barro!
Não estou aqui defendendo a justiça “olho por olho, dente por dente”. O que eu quero (e, com certeza muita gente) é justiça e decência! E ponto final. Simples assim.
Todos nós aprendemos (ou deveríamos ter aprendido) o que é certo e o que é errado. E roubar é errado. Quem ensina isto não sou eu, é o Código Penal e a boa moral. Que não é inata a quem tenha dinheiro, ou seja nascido em berço esplêndido. Chovem exemplos disso, em qualquer canto do país e do mundo.
Mas, também não silenciarei por causa de meia dúzia de defensores dos direitos dos manos, mais preocupados em defender os vagabundos, que chamam de “vítimas da sociedade”, do que preocupados com o justo, o correto. E o deficiente físico assaltado não seria muito mais “vítima da sociedade” do que o vagabundo que o assaltou?
Ah, querem justiça para os tatuadores? Tudo bem, eu também sou contra a LEI DE TALIÃO, mas o “pobre coitado” igualmente terá que responder pelo seu crime. E sem um advogado porta de cadeia para inventar teses mirabolantes em sua defesa.
Há agravantes de peso contra o “pobre coitado” assaltante.
A principal reside na deficiência física do assaltado! O jovem é perneta, meu Deus do céu!
Se os deficientes tem uma série de privilégios legais, quem os viola – como o “pobre coitado” violou – deve responder severamente pelo ato praticado. E não ser protegido por alguns que se consideram o “passo certo do batalhão”.
As estapafúrdias alegações ouvidas são no sentido de que o “pobre coitado” não sabia que estava cometendo um crime hediondo? Ou do excesso da reação dos tatuadores. Tal excesso que é causado pela impunidade absurda que os criminosos ganham no Brasil.
Então vou sentar na porta da minha casa e esperar – desde agora, 12 de junho – pela chegada do Papai Noel, com sua carruagem voadora conduzida por belas renas.
E, o máximo da vergonha foi a criação de uma “vaquinha” visando arrecadar fundos para pagar uma cirurgia corretiva na testa do “pobre coitado”, vagabundo e ladrão.
Mas, não se viu (e nem se soube de) nenhuma “vaquinha” para ajudar ao deficiente físico que vende balas de forma honesta num sinal para se sustentar, e não rouba ninguém.
Aliás, falando nisso, será que aqueles que colaboraram nesta “vaquinha” ridícula para ajudar o “pobre coitado”, alguma vez se dispuseram a estender a mão na direção de quem realmente necessite (pessoas sem ter o que comer; desempregados com filhos pequenos; vítimas das enchentes; etc...)?
CHEGA DE TANTA HIPOCRISIA!
Está mais do que na hora da decência voltar ao Brasil.
Quem sabe esta não é uma ótima oportunidade?
Marcelo Aiquel – advogado (12/06/2017)

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