quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Alemanha e França planejam criar um exército europeu independente

Um documento obtido pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung mostrou que os governo de Alemanha e França encabeçam um projeto militar ambicioso: criar um exército europeu através de uma “cooperação estruturada permanente” dos países-membros.
Ainda segundo o mesmo documento, uma das metas com a iniciativa é obter independência militar dos Estados Unidos, ao passo que a medida poderia contribuir para uma maor integração dentro da União Europeia (UE), recentemente abalada com o Brexit e com a presença de Donald Trump na Casa Branca.
Assinado pela primeira-ministra alemã Angela Merkel e pelo presidente francês Emmanuel Macron, o documento aponta que o bloco europeu deve se unir, a fim de pôr fim à histórica dependência anglo-americana na defesa da Europa, adquirindo assim uma “autonomia estratégica” importante para o continente.
De acordo com o plano, todos os países-membros da UE teriam devem ter a meta de que se alcance 2% do Produto Interno Bruto (PIB) destinado para gastos com defesa, tirando ainda 20% desse total para investimentos. São os mesmos requisitos da OTAN, que geraram críticas de Trump, já que só cinco países – EUA, Reino Unido, Polônia, Grécia e Estônia – o cumprem.
Outro objetivo fundamental da proposta é melhorar a “interoperabilidade”, ou seja, aumentar a coesão entre os vários exércitos dos países-membros para respostas militares conjuntas. Neste sentido, as armas são uma questão que requer uma revisão completa na Europa.
Dados fornecidos em um estudo da consultoria estratégica McKinsey & Company apontam que a Europa tem 178 sistemas de armas diferentes. Uma coordenação eficiente entre exércitos nacionais que persiga uma verdadeira otimização de recursos poderia permitir à UE economizar cerca de 30% nos gastos de defesa, de acordo com o relatório.
Inicialmente, França e Alemanha têm um apoio majoritário para a sua proposta, embora a situação em cada país sobre o projeto envolva diferentes interesses e posturas políticas internas que possam dificultar o andamento do processo. No momento, a Europa espera que o alto representante europeu para a política externa, Federica Mogherini, apresentar a sua proposta no final de setembro.

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