sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Caetano Veloso - é proibido proibir

O processo de Caetano Veloso contra o autor Flavio Morgenstern é um bom sinal. Sinal de que uma elite encastelada na Zona Sul do Rio de Janeiro, paparicada 24hs por dia há décadas, tão perto da realidade quanto a Terra de Plutão, está incomodada.
Esta elite, artística neste caso, tem seus contatos, principalmente na imprensa (pagos ou não), bajuladores praticamente profissionais nos bastidores atuando para que uma música seja colocada na abertura desta ou daquela novela, o que lhes rende uma fortuna em direitos autorais, mais propaganda e tudo que o bom e velho sistema capitalista proporciona. No Brasil, não há nada que dê mais dinheiro do que ser, na fachada, anti-dinheiro.
Caetano, nos últimos anos, vestiu-se de black block, compareceu ao MinC ocupado no Rio de Janeiro usando um cocar no ano passado (apropriação cultural, neste episódio, estranhamente não foi mencionada), e, mais recentemente, a um prédio invadido pelo MTST. Ele mora num apartamento gigantesco que pela lógica do grupo deveria ser moradia de umas 20 famílias. Mas isso seria um incômodo.
Também é incômodo, para estas elites, que as redes sociais existam. Claro. Pois não há como manter as redes sob o controle dos amigos; não há como ler apenas os que os bobos da corte fazem para agradar a realeza artística acima do bem e do mal; tão acima do bem e do mal que é simplesmente proibido mencionar o que foi exposto pela própria esposa de Caetano, Paula Lavigne: ela tinha 13 anos quando ele, homem feito, a procurou como adulta. Isso era, é e continuará sendo crime. Não importando se vieram a se casar, tiveram filhos e estão felizes desde então. Se formos pensar sob esta ótica, todo e qualquer homem que for descoberto tendo um relacionamento com uma criança dirá de pronto: "mas eu quero me casar com esta menina. Eu prometo que serei um bom marido". Deveremos lhes dar o benefício da dúvida?
Este fato fez com que fosse gerada a #CaetanoPedófilo, e eu não sei se o mentor desta # foi o Flávio, mas pouco importa: estão o processando, evidentemente, para calá-lo. Não podendo comprar um bajulador, é necessário eliminá-lo. É nosso dever lutar pela liberdade, para que possamos, um dia, sair das garras dessa mediocridade intelectual, deste grupinho de bons amigos que falam uns para os outros, que se aplaudem mutuamente, se elogiam, se convencem que são melhores, moral e intelectualmente, que todo o resto do país. Que mantenham o direito de se auto-enganar, mas que percam a audácia de tentar calar aqueles que os criticam.

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