sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Carta para Excelentíssima Ministra dos Direitos Humanos Luizlinda Valois

Excelentíssima Ministra dos Direitos Humanos, meu nome é Daniel Macedo, sou Defensor Público Federal. Gostaria de compartilhar uma experiência com Vossa Excelência que está revoltada com o seu subsídio que, segundo a senhora, acaba de reposicioná-la à condição análoga à de escravo. (O mesmo vale para o Ministro da Saúde).
Hoje juntamente com o Conselho Regional de Medicina/RJ inspecionamos o setor de oncologia do Hospital Federal de Bonsucesso. Encontramos uma situação criminosa. Ao passar pelos corredores, encontramos pessoas em desespero e com muito choro pedindo socorro, pois a quase totalidade delas, pacientes oncológicos, tiveram o tratamento interrompido por falta medicamentos quimioterápicos.
Encontramos uma pastinha, como a senhora pode ver na foto, de pacientes aguardando radioterapia e quimioterapia. São centenas de pacientes que só tem o dinheiro de passagem para chegar ao hospital. Encontramos o tomógrafo quebrado, quando uma paciente exclamou: 
- Doutor eu gasto R$ 450,00 por cada exame que faço lá fora, pois aqui o hospital não oferece. Soube que entre 3 e quatro pacientes com viabilidade para manter-se vivos, morrem por causa relacionada à interrupção do tratamento. 
Senhora Ministra, saímos chorando eu, o Presidente do Cremerj e os dois médicos que me acompanharam na vistoria. Mais de 60% dos tratamentos interrompidos. Uma senhora mostrou-me os caroços em seu pescoço quando disse: "Doutor, pelo amor de Deus, há dois meses venho aqui e não consigo fazer quimioterapia. Vou morrer"
A senhora veio ao mundo, mas o mundo a senhora não conhece. Não me refiro a sua capacidade intelectual, mas a capacidade de amar e ajudar. A sua preocupação primeira parece ser com o dinheiro. Aqui no meu mundo a senhora sequer é capaz de mensurar a dor de pessoas como as que mencionei. Existe tantas pessoas pobres em nosso país, mas as mais pobres são aquelas que ocupam o alto escalão do Governo e não se compadecem com a dor alheia.
Fica a frase senhora Ministra: "Se as feridas do seu irmão não te causam dor, a sua doença é mais grave que a dele".
A sua frase não foi apenas infeliz, foi um tiro na consciência do bem servir, do amor ao próximo. Por favor, peça exoneração, pois é um serviço que prestará à pátria.
Por favor, façam chegar até eles.
Daniel Macedo - Defensor Público Federal

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