sexta-feira, 11 de maio de 2018

A difícil vida do idoso no Brasil

Segundo se comenta, “a boca pequena”, o velho vive como escolheu, para chegar ao fim da existência, mas na verdade, nem sempre é assim. 
No Brasil, alicerçado no Estatuto criado para ele, o idoso não paga passagem em transporte público, paga meia entrada em qualquer evento no território nacional, tem filas especiais e prioridade no atendimento, entretanto, em conversas com alguns, se ouve a continua lamúria do abandono familiar.
Outro dia, ao visitar um “abrigo de velhinhos” assistir a um quadro triste, mas sem solução aparente.
Ao chegar e adentrar no recinto, passei por uma senhora que aparentava ter uns oitenta e poucos anos. Ali, sob o sol escaldante do Nordeste brasileiro a referida senhora estava agarrada ao portão. Diante do quadro que se apresentava, disse-lhe: vó, por que não sai desse sol quente? No que ela respondeu: estou esperando meu filho, ele chega já! Após alcançar o interior do prédio, perguntei a uma das atendentes/cuidadoras: por que a vovozinha estava no sol, por que ela não esperava sentadinha na área coberta? Sem quase olhar para mim, pois cuidava de outra idosa, a moça disse: não há quem a tire dali. Todos os dias de visita é a mesma coisa, coitada! O filho dela faz mais de ano que não aparece aqui. A nora não a suporta e quase o forçou a colocá-la aqui. Todos os meses, pagam a mensalidade na rede bancária com o cartão dela, mas ninguém aparece.
Fiquei com a garganta travada olhando para aquela mãe, que como todas as outras, um dia, tanto deve ter se sacrificado pelo seu único filho e, que, por obra do destino, o estava esperando em vão.
Pois é! Do que adianta ter no país um Estatuto do idoso se na sua própria família ele é abandonado, ignorado e as vezes até maltratado.
Por isso, que em seus devaneios, dia sim, dia não escutei muito dona Merá dizer: “meu filho, a velhice é pior do que a morte”. Aí eu perguntava, por quê? E ela respondia: “um dia você irá descobrir”. Hoje, começo a acreditar que ela, realmente, falava a verdade.

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