segunda-feira, 25 de junho de 2018

Brasil está em "stand by".

Vocês não devem estar entendendo a demora da retomada do crescimento econômico do País, após ter passado pela pior depressão econômica dos últimos 100 anos, nos anos 2015 e 2016. O Brasil cresceu cerca de 1% no ano de 2017 e os indicadores mostram que o País poderá crescer cerca de 2% neste ano. Mas, o resultado destes sinais de crescimento não se faz sentir no cotidiano do povo brasileiro. Infelizmente, os articulistas econômicos não conseguem explicar o motivo desse desânimo generalizado. Vou tentar explicar na sequência.
Enquanto o Brasil, nos anos 2016 e 2017, experimentou depressão de cerca de 7%, o restante do mundo cresceu em média 7%. Os números mostram que o "fosso" ou o "buraco" que separa o Brasil do restante do mundo é de cerca de 14%, que é a soma do que regredimos com o que os outros progrediram. O crescimento pífio de 1% no ano passado, nem sequer cobriu o crescimento do retante do mundo. O crescimento projetado de 2% neste ano, apenas acompanha o crescimento dos países desenvolvidos. O "buraco" é de 14%, grosso modo. 
O quadro acima é confirmado com o número espantoso de desempregados, cerca de 13%, com carteira assinada, enquanto o indicador aceito pelos países desenvolvidos é de 4% ou na pior das hipóteses 5%. O IBGE mostra que apenas 34 milhões de trabalhadores estão empregados com carteira assinada, enquanto enquanto cerca de 40 milhões estão desempregados ou sub-empregados. Isto sem contar com cerca de 13 milhões de chefes de famílias que dependem do Bolsa Família. De acordo com o IBGE, o País possui cerca de 104 milhões de pessoas que representam a força de trabalho. Não precisa ser economista para constatar que apenas uma pequena parcela da população sustenta o restante da população. 
Outro fato que não é comentado pela grande imprensa é o número de inadimplentes no comércio. Cerca de 61 milhões de pessoas estão inadimplentes. Isto representa cerca de 40% da população adulta do País, estimado em 210 milhões de habitantes. O número alto de inadimplentes é explicado pelo número expressivo número de desempregados e sub-empregados. O fato é que 61 milhões de pessoas deixam de "alavancar" o consumo. 
É um círculo vicioso difícil de romper. Os desempregados e inadimplentes que deixam de consumir, fazem com que as indústrias deixem de criar novos empregos com carteira assinada. Não criando novos empregos, o consumo não aquece. Sem consumo aquecido, as indústrias não tem para quem vender a não ser para fora do País. Falta uma medida de grande impacto para retomar o crescimento econômico do País. 
As indústrias e agronegócio que poderiam estar carreando recursos financeiro para o desenvolvimento do País, a política monetária do governo tende a valorizar o real tentando desvalorizar o dólar. O Banco Central fazendo intervenção diária para segurar o dólar no atual patamar. Este governo ou governo de antes, sempre preferiram que o povo sentisse a "sensação do poder de compra" com o real valorizado. Enquanto uma compra em Nova York sair mais barato que em São Paulo, o mercado de câmbio está defasado. 
Não tem mais jeito. Já estamos no final do primeiro semestre de 2018, com eleições previsto para o mês de outubro. Não haverá mudanças profundas na política econômica e nem tão pouco a mudança necessária na política monetária. O Banco Central vai impingindo política monetária, tão somente, para segurar a inflação no patamar aceitável, enquanto aguarda diretriz do novo presidente da República, que será eleito apenas no dia 7 de outubro.
Literalmente, o Brasil está na posição de "stand by".

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