quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tabelamento do diesel não vai dar certo!

O tabelamento do diesel pelo governo Temer parece ter vindo para ficar. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis aprovou nessa terça-feira, dia 5, a realização de audiência pública para colher no mercado propostas para uma "regulamentação" que defina prazos de reajustes de preços dos combustíveis. Isto vai terminar em tragédia!
Segunda a grande imprensa, a audiência será iniciada no dia 11 e permanecerá até o dia 2 de julho. A ideia é publicar a regulamentação no Diário Oficial no prazo de 40 a 60 dias. Segundo a ANP, ela valerá enquanto existir um monopólio de fato no mercado de refino no Brasil, atualmente dominado pela Petrobrás. Em outras palavras, a regulamentação ficará valendo para sempre, ou até que o novo presidente da República resolva endossar ou banir a regulamentação do preço de produto no setor privado. 
A primeira vista, parece coisa positiva, pois foi a maneira que o governo Temer encontrou para acabar com o movimento paredista dos caminhoneiros. O próprio movimento, parecia ser um movimento de iniciativa dos caminhoneiros autônomos, mas as investigações parecem confirmar que foi locaute das empresas de transportes de cargas. Ontem mesmo, a AGU mandou para o STF uma terceira lista de multas aplicadas às empresas de transportes que ultrapassa R$ 500 milhões. 
Seja como for, o fraco governo Temer resolveu "tabelar" o preço do diesel com desconto de R$ 0,46 por litro na bomba, que ficará valendo até o final de julho. À partir daquela data, o governo vai tabelar um novo aumento que ficará valendo para os outros 30 dias e assim consecutivamente.
Isto me lembra o "tabelamento de preços" do desastrado governo Sarney em 1986. À época, o tabelamento dos preços, acabou criando o desabastecimento generalizado de mercadorias. O governo Sarney ameaçou até laçar o boi no pasto, figurativamente, para garantir o abastecimento de carnes, pelo preço tabelado. O final do governo Sarney foi marcado pela "hiperinflação" decorrente da falta de mercadorias. A saída para a situação que se criou foi o Plano Collor, que impôs o confisco de poupança em 1990, uma outra triste lembrança da população.
A história mostra que o tabelamento dos preços ou o controle de preços pelo governo é comemorado "na entrada", mas "a saída" do tabelamento ninguém pode prever como vai ocorrer. Governo Temer, fraco, resolveu problema dos caminhoneiros com o "tabelamento" do preço de diesel. A medida é populista e o resultado será maléfico para a população no médio prazo. Isto é como querer revogar a lei do Newton, a de gravidade, por decreto presidencial.

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