segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Vai ser a guerra Bolsonaro/Mourão contra o "resto" ✰ Artigo de Sérgio Alves de Oliveira

Se o Lula, excepcionalmente, ficar de fora da disputa presidencial que se avizinha, é quase certo que Bolsonaro vencerá já no primeiro turno, ou no mínimo passe para o segundo turno. Com Lula no páreo, fica mais difícil fazer uma previsão, ainda mais não se sabendo ao certo em que condições “mágicas” determinadas pelo TSE ou STF ele poderia competir. Mas daí o presidiário enfrentaria Bolsonaro, que provavelmente perderia a eleição para Lula porque todos os outros grandes partidos, grandes e pequenos, apoiariam o ex-Presidente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Isso porque a maioria dos demais partidos são, ”vermelhos”, comunistas, socialistas ou esquerdistas, declarados, ou disfarçados como lobo em pele de cordeiro. Além disso, a “sujeira” interna que eles têm acumulada através dos tempos se identifica muito mais com Lula do que com Bolsonaro/Mourão.
A única certeza que se pode ter em relação ao pleito que se aproxima é que, exceto os dois partidos nanicos que cederam as suas siglas para Bolsonaro (PSL) e Mourão (PRTB), os demais partidos, inclusive os maiores, ”fecharam” totalmente as suas portas para essas candidaturas, e jamais as apoiariam num eventual segundo turno.
A meu ver a única chance de vitória que tem a “chapa” Bolsonaro/Mourão é a de vencer já no primeiro turno. Num eventual segundo turno, o “resto” dos partidos, pelas razões apontadas, se “fecharia” contra eles e acabariam elegendo Lula, ou o “outro” qualquer que tomasse o seu lugar. Veja-se que a “intimidade” entre o PT, o MDB e o PSDB, que são os partidos maiores, embora em versões diferentes conforme a época, sempre foi grande.
O único precedente histórico em que um candidato venceu sem o apoio dos grandes partidos foi na eleição de Fernando Collor de Melo, onde a pessoa dele suplantou a força dos grandes partidos políticos, evidentemente tendo por trás a força da “Globo” como principal cabo eleitoral, que o elegeu e depois o “destituiu”, usando o Congresso (impeachment) para esse trabalho “sujo”.
O que temos desde logo que colocar em mente é que a eleição de novembro próximo será mais um confronto entre as forças “pessoais” dos candidatos Bolsonaro e Mourão e a força dos partidos políticos gigantes e seus inúmeros “reforços”, partidos médios e “nanicos”. Será mais ou menos como a luta contada nos relatos bíblicos entre o Rei-profeta DAVI contra o gigante filisteu GOLIAS, onde a vitória foi de Davi. A disparidade de forças é imensa. Mas na disputa entre Bolsonaro/Mourão e o “outro” candidato, representando a força política dos grandes partidos, o povo votante poderia assumir o papel de “fiel-da-balança”, dando a vitória a “Davi”? O povo conseguiria suplantar o poder dos partidos políticos? Essa é a questão.
Não é preciso grande investigação para que se verifique que os “ninhos” onde são gerados a enorme quantidade de canalhas e corruptos da política brasileira, perfeitamente “fotografados” na Operação Lava Jato, e outras similares, da Polícia e Ministério Público Federais, são justamente os partidos políticos, que acomodam os seus representantes nas Prefeituras, Governos Estaduais e Federal, Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara e Senado Federal. Isso quer dizer que toda a sujeira que se encontra nos políticos eleitos tem origem nos próprios partidos políticos. Ou seria o inverso? Nem importa, seria como discutir quem veio primeiro, se a galinha ou o ovo. O que não resta qualquer dúvida é que ambos são sujos e reciprocamente se atraem.
Ora, os dois partidos “nanicos” que abrigaram as candidaturas de Bolsonaro e Mourão são tão inexpressivos, comparados aos grandes partidos, que pode ser entendido que as ditas candidaturas seriam “independentes”, ”avulsas”, embora a legislação eleitoral não contemple essa modalidade. A grande vantagem que levam esses candidatos “independentes” é que eles passam a ter uma certa “imunidade” de contágio de “sujeira partidária”.
Tudo isso significa que deve ser contado como ponto positivo à “dobradinha” Bolsonaro/Mourão, o simples fato de todos os grandes partidos, principalmente os de esquerda, terem fechado as suas portas, e nem deixado qualquer “frestinha”, para cogitar dessas candidaturas. Entre Bolsonaro/Mourão e os partidos políticos, eu já optei pelos primeiros.
Por isso a grande batalha dessa eleição não será propriamente entre os candidatos, porém entre o Povo e os Grandes Partidos Políticos. Quem vencerá?
Sérgio Alves de Oliveira - Advogado e Sociólogo

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