sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Mostra a cara Carmen Lúcia!

Não entendo este país por mais "boa vontade" que eu tenha. Após a morte trágica do ministro Teori Zavascki do STF, na última semana, está em discussão no meio político e no meio jurídico, a continuidade ou não dos processos da Operação Lava Jato na mais alta Corte do País. A imprensa faz transparecer, até para os leigos como eu, a intensa movimentação nos bastidores da política e no judiciário para definir o rumo das investigações sobre as delações premiadas do grupo Odebrecht. Dar continuidade ou não ao Lava Jato, eis a questão!
A demora na decisão da ministra Carmen Lúcia do Supremo Tribunal Federal, "em plantão" no período de recesso que vai até dia 31 próximo, demonstra claramente que está havendo "pressão" enorme para que a delação premiada do grupo Odebrecht referente Lava Jato não seja homologada pelo STF. Barrando a delação da Odebrecht, centenas de políticos e pessoas ligadas a eles, com ou sem foro privilegiado não seriam mais objetos de investigações pela Justiça competente. 
A grande imprensa desnuda os interesses dos políticos nominados na delação da Odebrecht e dos possíveis envolvidos também nas futuras delações de outras empresas envolvidas na Lava Jato, incluído neste rol o nome do próprio presidente Michel Temer, em querer ver a Lava Jato sepultado no nascedouro. A indecisão e demora na indicação do novo relator da Lava Jato, em substituição ao falecido Teori Zavascki, pela presidente do Supremo Tribunal Federal, em plantão, fica claro que o processo de indicação do novo relator já vem com o "vício de origem". A indicação já virá "contaminado" pela influência de uma das alas, a que quer continuidade ou a que não quer a continuidade da Operação Lava Jato.
Enquanto países de menor importância como Panamá, Colômbia e Peru que já proibiram continuidade do grupo Odebrecht nas obras financiadas pelo BNDES, o Brasil continua na ambiguidade de "dar ou não dar" perdão para empreiteiros da Lava Jato e para os políticos beneficiados com o "dinheiro sujo" das obras financiadas com o dinheiro público. O Brasil continua "em cima do muro" sobre o destino da Lava Jato. 
A demora na decisão da presidente Carmen Lúcia, presidente do STF, em plantão, sobre a indicação do novo relator da Lava Jato, indica que o processo já está contaminado, na origem. Num caso importante como este, a indecisão da presidente do STF mostra claramente que as forças políticas de diversos matizes se uniram para tentar dar um "novo rumo" ao Lava Jato. Os "nomes dos bois" estão expostas na lista das delações premiadas e representam as forças políticas que "mandam" nas instituições da República, há décadas. 
Mostra a cara Carmen Lúcia!

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