quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ingressar nas Forças Armadas ✰ Artigo do Coronel José Batista Pinheiro

Nos anos 40/50 da nossa geração, após o sangrento e indesejável evento da 2ª Guerra Mundial, ingressar nas Forças Armadas de qualquer país era o sonho e o desejo da rapaziada em subir na escala social da vida através de uma profissão bem remunerada, prestigiada e apaixonante. Embora exigisse do postulante o sacrifício da própria vida em defesa do país no desempenho dessa nobre profissão, esse sonho aumentava mais ainda o anseio de se tornar um herói da Pátria. Todos os que adentraram nessa atmosfera de euforia sentiram na própria carne e no espírito o sabor dessa fantasia.      
Hoje ninguém mais acredita em guerra, embora ela exista, é palpável, é pura realidade. Enquanto o ser humano colocar fechadura na porta para se precaver do seu semelhante o espectro da guerra entre países é mais do que evidente, lógico e previsível.  A liderança e hegemonia de um país não se medem mais pelo seu potencial produtivo, econômico e extensão territorial e, sim, pelo valor de suas armas, de seus arsenais e de suas forças bélicas. Basta dar uma espiada panorâmica no mundo atual para saber quem manda e quem obedece.   Para se resgatar o interesse por esta nobre profissão não precisamos ser agressivos nem temerários, basta se ter uma visão de prudência e de bom senso. Precisamos enxergar o óbvio dos atuais governantes brasileiros em virar a cara quando se pronuncia a palavra militar. Os coitados não enxergam um palmo diante do nariz para as contendas internacionais na busca da supremacia política e material pela força das armas, e quem não se cuidar, não estiver preparado, não será respeitado pelo concerto das nações e tragado pelo torvelinho dos interesses internacionais. 
As Forças Armadas do Brasil precisam ser urgentemente reaparelhadas, adestradas e modernizadas em suas necessidades bélicas e estratégicas. Destarte, devemos estimular a nossa mocidade para o ingresso na carreira das armas mostrando-lhe a excelência do ensino em nossas escolas militares, estimulando o decadente nível salarial em relação aos demais níveis dos  servidores do Estado, para refulgir o interesse dos jovens em ser um herói da Pátria. Não se deve subestimar a ambição dos outros povos em ralação às nossas riquezas e a nossa extensão territorial. Não existem apólices de seguros para esses presságios da condição humana.
José Batista Pinheiro - Cel Ref EB  (Rio de Janeiro,04.07.2017)

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